Catarinense com deficiência auditiva protesta contra exce

 

A discussão sobre a falta de filmes legendados nos cinemas catarinenses ganhou nova proporção neste domingo (20) com o protesto da estudante Danielle Kraus Machado, de São José. Com perda auditiva moderada, ela tentou assistir aos filmes A Era do Gelo 5 e Procurando Dory no Cinépolis do Continente Shopping, em São José, porém não havia nenhuma sessão legendada.

Coluna de cinema: Até quando os filmes legendados vão ser pouco disponíveis nos cinemas de Santa Catarina?

Comissão Avaliadora do Prêmio Catarinense de Cinema recebe projetos até o final de julho

Cansada de lidar com a falta de acessibilidade - que, vale lembrar, é direito garantido pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência -, ela posou com cartazes na frente do cinema e publicou as fotos em seu perfil no Facebook. Em menos de 24 horas, o post já ultrapassou 30 mil curtidas e compartilhamentos.

— Jamais imaginei tamanha repercussão. Com esse protesto, queria apenas reunir um pequeno grupo de pessoas com deficiência auditiva para fazer campanha de conscientização nos outros cinemas, para chamar a atenção da mídia. Só que tudo foi tão rápido que, quando vi, muitas pessoas já estavam apoiando a causa — comenta a estudante.

 

Daniella, que tem 19 anos e estuda Engenharia Elétrica no IFSC, pretende fazer um BO e levar o processo adiante para que os direitos das pessoas com deficiência sejam garantidos. Ela também quer levar o protesto para outros cinemas da região para conscientizar as pessoas sobre a falta de inclusão.

 

— Quero que qualquer pessoa, independente de ter uma deficiência ou não, possa ir no cinema sem restrições. Isso já é lei, só falta acontecer na prática. Eu já fui diversas vezes e desisti de ver filmes que queria por falta de acessibilidade. É chato, sim, revoltante. Mas parece que enquanto não fizer "barulho", ninguém liga. Acham que colocar legendas é luxo, pedir demais — protesta a jovem, que tem um blog onde compartilha suas experiências. 

 

O DC entrou em contato com a assessoria do Continente Shopping, que disse que a responsabilidade pela exibição dos filmes é da rede de cinemas Cinépolis. Por meio de nota, a assessoria da rede informou que aguarda o resultado da consulta pública sobre critérios de acessibilidade visual e auditiva.

Confira a nota na íntegra:

A Cinépolis do Brasil zela pelo cumprimento da legislação perante todas as esfera da administração pública. No caso em comento é importante ressaltar que a norma relativa a critérios de acessibilidade visual e auditiva encontra-se em fase de Consulta Pública, aberta em 30.06.2016 e com encerramento previsto para 01.08.2016, conforme verifica-se pelo site da própria ANCINE - Agência Nacional do Cinema.

Tão logo encerre-se esta fase e haja a edição de norma específica regulamentando o tema, esta será acatada em seus termos por esta empresa, sempre oferecendo a todos os nossos clientes a melhor experiência de cinema.

O que diz a lei

De acordo com a o Artigo 42 da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, a pessoa com deficiência tem direito à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. As salas de cinema devem oferecer, portanto, recursos de acessibilidade em todas as sessões.

 

— A falta de filmes com o idioma original e acompanhados de legenda torna as salas de cinema praticamente inacessíveis às pessoas que teriam a legenda como única opção. Também é importante integrar uma janela de interpretação em Libras no canto da tela, pois existem pessoas com deficiência auditiva que não são alfabetizadas. Apenas inserir legendas em português não é garantia de acessibilidade — defende Ludmila Hanisch, presidente da Comissão do Direito das Pessoas com Deficiência da OAB-SC.Foto: Facebook / Reprodução

 

 

 

Filmes

Fonte: Diário Catarinense

Linha

Todos os direitos reservados. Rádio Cultura de Xaxim Ltda.              49 3353.2425