Baixa umidade deve atrasar início das chuvas no centro do país

 

As chuvas na grande área central do Brasil, que normalmente começam na segunda quinzena de setembro, devem demorar ainda mais em 2017, informou o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal (GTPCS) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Além disso, a tendência é que o volume de precipitação em setembro, outubro e novembro ocorra abaixo da média histórica.

Segundo o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, esse quadro é causado pela falta de umidade no ar aliada ao baixo volume de chuvas na região amazônica nos últimos meses, responsável por criar os sistemas de chuvas que chegam a essa parte do país.

“Apuramos que há um déficit de umidade no ar. Ele tem duas origens. Uma é que está chovendo abaixo da média na região Norte há muitos meses. A chuva na parte central começa na Amazônia e depois avança para o Sudeste. A outra é a própria umidade do solo. E há um grande déficit disso por conta da falta de chuvas de pelo menos dois anos nessa região central. Para chover, precisa de umidade. E tem uma deficiência nesse sentido”, explicou.

A falta de umidade também reflete na temperatura. Segundo a previsão climática, a primeira quinzena de setembro deve registrar temperaturas máximas, quadro que deve se estender até que as primeiras precipitações caiam.

“Quando não há nebulosidade, os dias ficam mais quentes, mas as noites podem ser um pouco mais amenas, devido à maior perda radiativa. A previsão climática indicou que, excetuando a região Sul, as demais regiões devem ter temperaturas acima da faixa normal climatológica”, afirmou a climatologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), Renata Tedeschi.

Rios

A disponibilidade hídrica é outra consequência da elevação das temperaturas, não enfrentado apenas na região Centro-Oeste, mas também no Nordeste, especialmente no semiárido. A vazão de rios importantes, como Tocantins, Araguaia e São Francisco, está abaixo da média e tende a cair ainda mais. Isso tem levado a problemas de abastecimento de água para consumo humano e para atividades agropecuárias. A situação é mais crítica no Nordeste, uma vez que os próximos três meses são os mais secos do ano.

“Esperamos um cenário muito difícil para os rios. A falta de umidade do solo faz com que, mesmo chovendo normal, haja menos vazão dos afluentes. Parte da água vai para os lençóis freáticos e diminui a vazão do rio. Vai ser difícil se recuperar, só quando chegar ao auge da estação. Mas a tendência é que não chova tanto assim”, destacou Marcelo Seluchi, do Cemaden.

Norte

Depois de uma cheia dos rios amazônicos que beirou os volumes máximos já registrados, a região Norte volta ao quadro de estiagem. No ano passado, o oeste da Amazônia sofreu uma das piores secas da história. Renata Tedeschi explica que essa variação ocorre por conta do aquecimento das águas do Oceano Atlântico Tropical Norte, carregando a umidade para áreas mais ao norte da posição climatológica.

O Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do MCTIC é formado por especialistas do Cemaden, do Inpe e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Também estão representados órgãos ligados à área de climatologia, hidrologia e desastres naturais, a exemplo da Agência Nacional de Águas (ANA), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), entre outros.

 

 

Chuvas umidade

Fonte: Ministério das comunicações

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