Universidades do Rio Grande do Sul abrem portas para terceira idade

| Foto: Gelsoli Casagrande / UFP / CP

 

Quem vê idosos frequentando a academia nos dias atuais, nem imagina que até os anos 1970, eles eram praticamente alijados do sistema de ensino. Na verdade, até então, acreditava-se que o ser humano se desenvolvia inicialmente na infância (Primeira Idade) e alcançaria o seu máximo de desenvolvimento durante a fase adulta (Segunda Idade). Na velhice, também conhecida como Terceira Idade, era hora de parar.

 

Nomes como José Saramago e Oscar Niemeyer são exemplos de que esta sentença não era definitiva. Pelo contrário. O escritor português, por exemplo, começou a carreira literária próximo aos seus 60 anos de idade e ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, quando tinha 75 anos. O arquiteto responsável pelo planejamento de Brasília, também nunca parou de criar e um de seus últimos projetos, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, inaugurado em 2011, na Espanha, foi elaborado próximo aos seus 100 anos de idade.

Percebendo esta capacidade e seguindo exemplos como o da Universidade de Toulouse, na França, que em 1973 abriu as portas aos idosos, a Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), da Capital, inaugurou no último mês, a Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati). Outras instituições do RS também já perceberam as necessidades deste público e oferecem programas específicos para esta faixa etária. E não estamos falando de pouca gente.

O Brasil possui hoje 33 milhões de idosos e, em 2025, será o 6º país em número de idosos, ficando atrás somente da China, Índia, Rússia, Estados Unidos e Japão. “Nós queremos que as pessoas tenham uma velhice mais saudável, mais participativa, mais segura e até mesmo mais produtiva”, resume o coordenador da Unati da PUCRS, Newton Luiz Terra, diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG/PUCRS).

População Idosa

• A população brasileira manteve a tendência de envelhecimento dos últimos anos e ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Características dos Moradores e Domicílios, divulgada pelo IBGE.

• Em 2012, a população com 60 anos ou mais era de 25,4 milhões. Os 4,8 milhões de novos idosos em cinco anos correspondem a um crescimento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56% dos idosos), enquanto os homens idosos são 13,3 milhões (44% do grupo).

• Segundo a gerente da PNAD Contínua, Maria Lúcia Vieira, não só no Brasil, mas no mundo todo vem se observando essa tendência de envelhecimento da população nos últimos anos. Ela decorre tanto do aumento da expectativa de vida pela melhoria nas condições de saúde quanto pela questão da taxa de fecundidade, pois o número médio de filhos por mulher vem caindo. Esse é um fenômeno mundial, não só no Brasil. Aqui demorou até mais que no resto do mundo para acontecer.

• Entre 2012 e 2017, a quantidade de idosos cresceu em todas as unidades da federação, sendo os estados com maior proporção de idosos o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, ambas com 18,6% de suas populações dentro do grupo de 60 anos ou mais.

Renda Extra

Quando fala em velhice mais produtiva, o coordenador da Unati da PUCRS, refere-se à oferta de cursos que possam até mesmo trazer uma renda extra ao aposentado. Isso, porque a grade de cursos oferecidos não é estanque e os interessados podem solicitar temas de seu interesse. Com aulas a partir de agosto, a Unati ofertará cursos de psicultura a biscuit, de pães caseiros a culinária japonesa, passando por Direito dos Idosos, Programa Pré-Aposentadoria e Vida Digital.

A ideia da universidade leva em conta os dados que o perfil populacional do Brasil revela. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2016, mostrou que o Brasil possuía, no ano anterior, 4,5 milhões de idosos empregados. Com um número cada vez maior de integrantes da terceira idade dispostos a se manterem economicamente ativos, a tendência é que essa estatística aumente ano a ano, principalmente em tempos de economia incerta.

A diferença entre frequentar a Unati e um curso normal em qualquer dos institutos da universidade no entender do professor Newton Terra, é especialmente o ritmo do aprendizado. “Além do tempo de aprendizagem ser diferente, o interesse também”, garante, lembrando que muitos aposentados que procuram a universidade, muitas vezes, querem aprender por aprender. “Em geral, eles já têm uma formação e só querem aprofundar o conhecimento. É diferente do aluno que está em busca do diploma”.

A aprendizagem ao longo da vida é um tema tão pertinente e atual que será o fio condutor do Fórum Gaúcho do Ensino Superior sobre Envelhecimento Humano que acontece na Universidade de Caxias do Sul (UCS), nos dias 18 e 19/10. O evento de cunho científico é aberto a especialistas, profissionais da área, idosos e acadêmicos, com o objetivo de articular estudos e ações de Ensino, pesquisa e extensão que favoreçam o envelhecimento humano ativo e saudável.

A expectativa do coordenador geral do encontro, Delcio Antônio Agliardi, é grande: “virão caravanas de todas as universidades participantes. Somente na noite do Filó Italiano teremos a presença de cerca de 600 pessoas”, contabiliza.

O coordenador explica que fórum foi criado em 2000, atualmente reúne 14 universidades, e é realizado a cada dois anos em uma delas. Todas as instituições participantes, salienta Delcio, possuem ações estruturadas para idosos. “Em levantamento realizado pelo Fórum foram elencadas 625 disciplinas com a temática do envelhecimento”, afirma. O encontro de outubro promete discutir as disciplinas, abordagens e a forma de aprendizado. “A longevidade redesenha a necessidade de aprender”, resume Delcio.

Fórum do Envelhecimento

 18 de outubro

• 13h – Abertura com o Quinteto de Cordas da Orquestra Sinfônica da UCS e apresentação das delegações – UCS Teatro

• 14h às 15h30min – Conferência de abertura: O direito de aprender ao longo da vida, com a Dra. Bibiana Graeff – UCS Teatro

• 16h15min às 18h15min – Oficinas e workshops com foco nas vivências, experiências e interesses dos alunos sêniors – Blocos M e J

• 16h15min às 18h15min – Apresentação de projetos de pesquisa

• 18h30min às 20h – Palestra: Envelhecimento e saúde – Dr. Newton Luiz Terra – UCS Teatro

• 20h30min – Filó Italiano – Restaurante Ícaro

19 de outubro

• 8h às 10h – Oficinas e workshops com foco nas vivências, experiências e interesses dos alunos idosos

• 8h às 10h – Comunicações orais - Bloco M

• 8h às 10h – Avaliação dos pôsteres - Centro de Convivência

• 10h30min às 12h – Palestra: Envelhecimento humano e o protagonismo na sociedade contemporânea – Ms. Eduardo Danilo Schmitz – UCS Teatro

• 14h às 15h30min – Palestra: Estilo de vida e envelhecimento saudável – Jornalista Laura Medina - UCS Teatro

• 15h30min às 17h – Eleição da nova coordenação do Fórum – Bloco M – Sala Florense

• 15h30min às 17h – Atividade cultural – UCS Teatro

• 17h30min – Encerramento – UCS Teatro

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Fonte: Correio do Povo

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