Barragens de Xanxerê possuem planos emergenciais

(Foto: Aline Tonello/Tudo Sobre Xanxerê)

Após a ruptura da barragem de rejeitos do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, que vitimou centenas de pessoas, o governo federal publicou uma resolução solicitando fiscalização imediata de todas as barragens do País. Em Santa Catarina, 44 barragens foram incluídas em uma lista para receber fiscalização prioritária, sendo que algumas estão na região Oeste, inclusive quatro delas passam por Xanxerê. Mas, segundo o coordenador regional da Defesa Civil Luciano Peri, as barragens mencionadas estão enquadradas na categoria de baixo risco de rompimento e todos os barramentos que fazem parte da Regional já possuem plano de ação emergencial em caso de desastre.

Por Xanxerê passam oito barragens: duas do Rio Chapecozinho, quatro do Rio Irani e duas do Rio Xanxerê. Das quatro que entraram na lista de fiscalização prioritária por serem consideradas de dano potencial alto – dano que pode ocorrer devido a rompimento de uma barragem medido de acordo com a quantidade de perdas de vidas humanas e impactos sociais, econômicos e ambientais -, duas abrangem Arvoredo e Xanxerê; outra Faxinal dos Guedes, Xanxerê e Xavantina; e, a última, Xanxerê e Xavantina. Todas são Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) o que, em caso de rompimento, torna a situação menos grave, segundo Peri.

- É importante ressaltar que esse evento de Brumadinho levanta uma preocupação maior para as obras que são barragens de rejeitos. Na Regional de Xanxerê temos 19 PCHs e uma usina hidrelétrica, não temos barragens de rejeitos, temos barragens para barramento de água e geração de energia, que são muito mais seguras, a condição de checagem, muitas vezes, é maior. Além disso, todos os planos de ação emergencial foram confeccionados e implementados ainda em 2017. Já estamos na segunda fase, que é a revisão, e vamos entrar posteriormente na parte de treinamento e capacitação da comunidade. É responsabilidade do empreendedor fazer isso, mas como a ação de Defesa Civil vamos apoiar e auxiliar porque fazemos a interação entre os demais organismos para que possam prestar a devida resposta em caso de desastre – explica o coordenador de Defesa Civil da Regional de Xanxerê.

Para as barragens que constam na lista divulgada pelo governo federal, a fiscalização deve ocorrer imediatamente e o prazo para que todas essas sejam fiscalizadas é até o final deste primeiro semestre de 2019. As demais devem passar por fiscalização até o fim do ano. A responsabilidade por vistoriar esses empreendimentos é da Agência Nacional de Água (ANA) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

- Aquela lista diz que temos barragens com risco baixo de rompimento, contudo com dano potencial elevado e elas vão ser vistoriadas através da ANA e da Aneel para que se entenda a condição de segurança e como estão os planos de ação emergencial, se já são realizados, para verificar a situação de resposta. Nós, enquanto Defesa Civil, vamos prestar apoio na avaliação e implementação dos planos de ação emergencial – afirma Peri.

Plano de ação emergencial
Cada barragem recebe uma classificação da ANA que define sua categoria de risco e o dano potencial associado, que pode ser baixo, médio ou alto. A combinação entre esses dois fatores gera outras cinco classificações: A, B, C, D e E, sendo A para maior categoria de risco e dano potencial e E, para menor em ambas as categorias. Essas definições são essenciais para a elaboração do plano de ação emergencial, pois quanto maior a classificação de risco, mais abrangente esse plano precisa ser, bem como realizar a revisão periódica de segurança de barragem com maior frequência.

- O plano de ação emergencial abrange toda a estrutura da barragem dentro da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), na qual ela deve cumprir quesitos de segurança. Todas as estruturas da nossa Regional têm um plano de ação emergencial, que demonstram as zonas de auto salvamento e as zonas de intervenção direta em caso de desastre. As zonas de auto salvamento são edificações ou famílias que precisam ser evacuadas imediatamente, que estão a menos de 10 km do local onde pode acontecer o acidente, o que exige que haja sistema de alerta e essas pessoas evacuem o local, saiam sozinhas, porque é questão de minutos até a água chegar nesse ponto. A partir desses 10 km tem a zona de intervenção direta e que, conforme o avanço da situação, vão se aplicando as intervenções necessárias para salvar vidas – explica Peri.

No mapa abaixo, por exemplo, o curso do rio é representado por uma linha preta e fina. A parte em azul é a previsão de até onde a água pode chegar em caso de rompimento da barragem, levando em consideração as precipitações das chuvas dos últimos 10 mil anos – é um estudo cuidadoso e detalhado. Os pontos vermelhos representam pessoas e edificações no caminho da água e que são potenciais vítimas. As que ficam até 10 km da barragem, que está no canto inferior direito da imagem, devem ser alertadas imediatamente após o rompimento porque não há tempo hábil para socorro externo em caso de rompimento. Já após essa zona de auto salvamento estão calculadas as previsões de chegada da água nos pontos seguintes, dando um pouco mais de tempo de reação para os moradores e autoridades.

Mas Peri destaca que, para que os planos de ação emergencial funcionem em caso de desastre, é preciso que sejam feitos simulados tanto com os grupos de resposta quanto com a comunidade.

- O Governo do Estado por meio da Defesa Civil já possui planejamento para que a gente faça inicialmente simulados de mesa, reunindo coordenadores municipais de Defesa Civil, bombeiros, policiais e demais envolvidos no socorro, para ver se funciona o plano de ação emergencial e, posteriormente, ir a campo para simular e ver se dá certo também. Temos alguns empreendimentos que atingem vários municípios, então tem que ter um trabalho com as coordenadorias municipais e regionais integradas, com as instituições públicas de socorro, segurança e saúde integradas e treinadas para atender uma situação de emergência caso aconteça. E, claro, é preciso que as informações cheguem na comunidade e que as pessoas acreditem no alerta e que atendam a ordem de evacuação – finaliza.

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Fonte: Tudo Sobre Xanxerê

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