Com ataques a refinarias afetam o mercado de petróleo

Os ataques de drones a duas das principais instalações petrolíferas da Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, acirraram a tensão na região do Oriente Médio.

O incidente, ocorrido no último sábado, provocou uma redução de 5% na produção mundial de petróleo, o que fez o preço do barril disparar no mercado internacional, atingindo a maior alta em uma sessão desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram a autoria do atentado, que seria uma resposta aos ataques da coalizão liderada pela Arábia Saudita contra eles.

Mas os Estados Unidos, que apoiam os sauditas, insistem que o Irã, aliado do grupo rebelde, está por trás da ofensiva.

Os iranianos negam, por sua vez, qualquer envolvimento no episódio.

O fato é que o ataque desestabilizou ainda mais a região do Golfo, revelando a vulnerabilidade de instalações petrolíferas de importância vital para a economia global.

E, consequentemente, acelerou a escalada da tensão entre o Irã e os Estados Unidos.

Entenda o xadrez geopolítico por trás do conflito e o possível impacto para os consumidores da alta do petróleo.

Por que os houthis atacariam a Arábia Saudita?

O Iêmen, país que fica ao sul da Arábia Saudita, vive uma guerra civil violenta desde 2015.

O conflito tem suas raízes na Primavera Árabe, de 2011, quando uma revolta popular forçou o então presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, a deixar o poder nas mãos do vice, Abdrabbuh Mansour Hadi.

Ao contrário do que se supunha, a transição política não levou à estabilidade e, ao final de 2014, os rebeldes xiitas houthis tomaram a capital, Saná, forçando Hadi a se exilar.

Alarmada com a ascensão do grupo rebelde, que acreditava ser apoiado militarmente pelo Irã, país majoritariamente xiita, a Arábia Saudita liderou uma coalizão de oito nações árabes, principalmente sunitas, contra os houthis, com o objetivo declarado de restaurar o governo de Hadi.

E foi assim que o conflito escalou dramaticamente em março de 2015.

As tropas da coalizão - que contam com o apoio de Estados Unidos, Reino Unido e França - lançam ataques aéreos quase todos os dias no Iêmen, enquanto os houthis disparam com frequência mísseis contra a Arábia Saudita.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o conflito já matou pelo menos 7.290 civis e deixou 80% da população - 24 milhões de pessoas - à mercê de assistência ou proteção humanitária, incluindo 10 milhões que dependem do fornecimento de alimentos para sobreviver.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Sarea, afirmou no sábado que as operações contra alvos sauditas "aumentariam e seriam mais agressivas do que antes, enquanto as agressões e bloqueios continuarem".

Os sauditas vêm realizando ataques aéreos contra os rebeldes houthis no Iêmen - com o apoio dos EUA - há algum tempo. Mas seus adversários só demonstraram agora sua real capacidade de revidar.

De acordo com o jornalista Jonathan Marcus, correspondente da BBC, o episódio reacende inevitavelmente o debate sobre até que ponto o Irã está fornecendo tecnologia e assistência aos houthis.

"O Irã tem laços fortes com os houthis e não há dúvida de que tenha tido um papel importante no desenvolvimento da capacidade de ataque de longo alcance do Iêmen, seja por meio de drones armados ou mísseis", avalia.

E, dado o clima já bastante turbulento no Golfo, o episódio serviu para aumentar ainda mais as tensões na região.

Apesar das trocas de acusações entre os países, ainda não há muitos detalhes sobre os ataques que, de acordo com as autoridades sauditas, atingiram duas instalações petrolíferas em Abqaiq e Khurais, no oeste do país.

"De certa forma, porém, os detalhes precisos não importam. O dano diplomático já foi feito. Os EUA e os sauditas são inimigos implacáveis ​​do Irã", destaca o correspondente.

Jonathan Marcus afirma que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, foi rápido em apontar o dedo responsabilizando o Irã pelos ataques, mas ele fez isso aparentemente antes de haver qualquer informação de inteligência clara disponível.

Várias horas depois, fontes americanas indicaram que houve cerca de 17 pontos de impacto do ataque, todos sugerindo que vieram do norte ou noroeste - ou seja, mais provavelmente do Irã ou do Iraque, do que do Iêmen.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, classificou as acusações dos EUA como mentiras.

"Depois do fracasso da política de 'pressão máxima', o secretário Pompeo muda para 'mentira máxima'", escreveu no Twitter, fazendo referência à "campanha de pressão máxima", declarada pelo governo Trump contra Teerã - uma série de medidas diplomáticas e sanções econômicas adotadas desde que os EUA abandonaram o acordo nuclear histórico, assinado por Barack Obama, entre o Irã e potências mundiais.

O governo Trump diz ver impressões digitais dos iranianos em toda a ofensiva estratégica dos houthis contra a infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita.

 

 

Fumaca preta e avistada apos ataque a uma das instalacoes da aramco em abqaiq 16092019124342705

Fonte: BBC NEWS BRASIL

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